* Por Abílio Mendes
Não menos que um gênio. O maior sanfoneiro do mundo, e, sem sombra de dúvida, um dos maiores instrumentistas de todos os tempos deixou de bailar os seus dedos cósmicos sobre as teclas e os baixos e de comprimir e distender o fole desses instrumentos tão complexos chamados sanfona e acordeom. Estes, que para o grande mestre, já eram uma extensão do seu próprio corpo, agora, repousarão, espero, numa sala qualquer de um museu.
Dominguinhos não era uma pessoa; era um acontecimento transcendental. Um fato raro, digno de aplausos calorosos e de olhares atentos que se viam embriagados pelo perfume que exalava de cada rítimo – sobretudo do forró, baião, xote e xaxado – executado de uma maneira tão graciosa e elegante. José Domingos de Morais era fino e preciso. Sem ter tido uma instrução teórica musical formal, ele desenvolveu as suas habilidades técnicas vendo outros grandes mestres tocarem, incluindo Luíz Gonzaga (O Rei do Baião). Mas esse assistir ao outro de nada serviria não fosse o seu talento inigualável para absorver rapidamente tudo o que lhe chegava aos ouvidos e oferecer ao seu público, em forma de música, um tipo de recriação. Não é a toa que ele conseguiu atrair a admiração e o respeito de grandes nomes da música instrumental, clássica e popular brasileira, como Luíz Gonzaga, Anastácia, Marinês, Gilberto Gil, Caetano Veloso, Elba Ramalho, Zé Ramalho, Djavan, Lenine, Chico Buarque, Yamandu Costa, Maria Bethânia, Cauby Peixoto, Toquinho, Roberto Carlos, Hamilton de Holanda, Orquestra Jovem Tom Jobim, Orquestra Sinfônica da Paraíba, Orquestra Sanfônica de Terezina “Seu Dominguinhos” (criada em homenagem ao próprio), Orquestra Jazz Sinfônica, Orquestra de Sanfonas do Ceará, além de tantas outras orquestras e artistas espalhados pelo Brasil e pelo mundo.

