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Pesquisa reforça aborto inseguro como questão de saúde pública

Pesquisa reforça aborto inseguro como questão de saúde pública 

Pesquisa sobre as consequencias da prática do aborto inseguro na saúde e vida das mulheres e nos serviços de saúde realizada nos estados da Bahia, Mato Grosso do Sul, Paraíba, Pernambuco e Rio de Janeiro, servirá para inserir o assunto nos debates das assembleias estaduais. A pesquisa revelou que o aborto está entre as principais causas de morte materna no país. Em Salvador (BA) e Petrolina (PE), por exemplo, o aborto inseguro foi a primeira causa de morte entre as mulheres.

O Grupo Curumim e a ONG Ipas Brasil apresentaram o resultado da pesquisa nesta segunda-feira (28) em Brasília, na palestra “O impacto da ilegalidade do aborto na saúde das mulheres e nos serviços de saúde em cinco estados brasileiros: subsídios para o debate político”.

Segundo a coordenadora do Grupo Curumim, Paula Viana, o objetivo do dossiê foi qualificar e inserir o debate nas assembleias estaduais, para que as estatísticas sobre os impactos do aborto sejam debatidas com seriedade e responsabilidade.

Paula enfatizou que, apesar de a lei ser restritiva ao aborto, ela não impede a prática e, “ao mesmo tempo encobre muitos estigmas e tabus em torno do problema”. Ela revelou ainda que, por ser tratado como um crime e pecado, muitos profissionais da saúde se negam a atender uma mulher em processo de abortamento, o que agrava seu estado de saúde, causando muitas vezes, sua morte.

De acordo com a pesquisa, mulheres que tiveram complicações por aborto estão entre as pacientes mais negligenciadas quanto aos cuidados de promoção da saúde reprodutiva e não são encaminhadas a serviços e profissionais capacitados. Mulheres na faixa etária entre 20 e 29 anos são as predominantes nos diagnósticos de aborto espontâneo e aborto por razões médicas

Assunto de saúde

Ela ressaltou ainda que, embora o Brasil seja um estado laico, ou seja, independente de religião, o debate sobre aborto tem sido abordado muitas vezes pelas igrejas ou pelas bancadas políticas religiosas. Porém, em sua opinião, o problema é de saúde pública. “As igrejas não podem interferir. A igreja não tem nada que se meter em um assunto de saúde”, enfatizou.

Nos cinco estados analisados, a intervenção mais utilizada para assistir mulheres que abortaram é a Curetagem Pós-aborto (CPA), procedimento que, além de ser mais caro é também o que oferece mais riscos de infecção para as pacientes. O Ministério da Saúde indica nestes casos o uso da Aspiração Manual Intra-uterina (AMIU).

Paula disse que é importante que as mulheres tenham consciência sobre seu direito a ter um tratamento de saúde digno, com acesso aos recursos mais modernos e tecnológicos que os serviços oferecem. “As mulheres têm que cobrar dos profissionais, seu direito ao atendimento”, declarou. E para os profissionais da área de saúde ela fez um apelo para que as barreiras do preconceito sejam derrubadas e que a preservação da saúde seja prioridade.

Ela adiantou que em agosto será realizada uma audiência pública na Câmara dos Deputados “para apresentar argumentos reais sobre o impacto do aborto inseguro na saúde das mulheres”, e fez um apelo aos legisladores: “que eles possam legislar em favor dos direitos das mulheres”.

A ação faz parte de um conjunto de estratégias, articuladas nacionalmente através da coalizão Jornadas pelo Aborto Legal e Seguro. Como o aborto é considerado ilegal no país, milhares de mulheres buscam o abortamento clandestino, para interromper uma gestação não planejada.

Para ter acesso à pesquisa, visite: www.grupocurumim.org.br.

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