{"id":9602,"date":"2021-07-08T15:45:33","date_gmt":"2021-07-08T15:45:33","guid":{"rendered":"https:\/\/sinservregional.com.br\/site\/?p=9602"},"modified":"2021-07-08T15:45:33","modified_gmt":"2021-07-08T15:45:33","slug":"trabalhador-precarizado-sem-sindicato-o-novo-espirito-do-capitalismo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sinservregional.com.br\/site\/?p=9602","title":{"rendered":"Trabalhador precarizado, sem sindicato: o novo esp\u00edrito do capitalismo"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As transforma\u00e7\u00f5es do mundo do trabalho v\u00eam percorrendo os s\u00e9culos 18 a 21, que est\u00e3o permeados de mudan\u00e7as e de transforma\u00e7\u00f5es na estrutura social movidas pelo moinho sat\u00e2nico do capital. A modernidade originou-se por meio do desenvolvimento da for\u00e7a de trabalho humano e, consequentemente, novas formas de trabalho surgiram e reorganizaram a divis\u00e3o social do trabalho. Esse processo possibilitou novas tecnologias e outros modelos de organiza\u00e7\u00e3o do trabalho.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Na longa hist\u00f3ria da atividade humana, em sua incessante luta pela sobreviv\u00eancia, pela conquista da dignidade, humanidade e felicidade social, o mundo do trabalho tem sido vital (ANTUNES, 2009). Nesse sentido, as mudan\u00e7as econ\u00f4micas, sociais e tecnol\u00f3gicas ocorridas a partir da revolu\u00e7\u00e3o industrial (urbaniza\u00e7\u00e3o, migra\u00e7\u00e3o do campo para a cidade, meios de transporte etc.) possibilitaram novas facetas da sociedade \u201cmoderna\u201d, cristalizando o indiv\u00edduo em uma sociedade hierarquizada e alicer\u00e7ada por fatores meramente econ\u00f4micos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nesse contexto nasce o indiv\u00edduo moderno, substrato sobre qual se consolidou a figura do trabalhador da sociedade fordista do s\u00e9culo 20. O final do s\u00e9culo 20 foi marcado por transforma\u00e7\u00f5es no modelo de organiza\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o taylorista\/fordista, o qual predominou nos pa\u00edses industrializados ao longo do s\u00e9culo 20, para um modelo de acumula\u00e7\u00e3o flex\u00edvel (HARVEY, 2002).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Conforme observado nos escritos de Marx, o trabalho \u00e9, assim, uma condi\u00e7\u00e3o de exist\u00eancia do homem, independente de todas as formas sociais, eterna necessidade natural de media\u00e7\u00e3o do metabolismo entre homem e natureza e, portanto, da vida humana (MARX, 2017). Nessa perspectiva, Antunes (2009) analisa que o trabalho, sob os ditames do capital, se torna uma mercadoria, uma condi\u00e7\u00e3o imposta e negoci\u00e1vel ao mercado, descaracterizando a sua ess\u00eancia de satisfazer as necessidades humanas e transfigurando um elemento for\u00e7ado diante da submiss\u00e3o do homem ao capital. Para o autor, \u201ca for\u00e7a de trabalho torna-se uma mercadoria, ainda que especial, cuja finalidade \u00e9 criar novas mercadorias e valorizar o capital. Converte-se em meio e n\u00e3o primeira necessidade de realiza\u00e7\u00e3o humana\u201d (ANTUNES, 2009, p. 48).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Na \u00f3tica capitalista, o trabalhador n\u00e3o se satisfaz, mas se degrada; n\u00e3o se reconhece, mas muitas vezes se desumaniza no trabalho (ANTUNES, 2009; MARX, 2017). O desenvolvimento do capitalismo diante das rela\u00e7\u00f5es mercantis transforma a for\u00e7a de trabalho em uma ferramenta de uso do capital, que capacita o trabalhador ao seu interesse, em uma rela\u00e7\u00e3o de aliena\u00e7\u00e3o das condi\u00e7\u00f5es sociais de vida. Para Antunes (2009),<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p><em>Com o advento do capitalismo, houve uma transforma\u00e7\u00e3o essencial que alterou e complexificou o trabalho humano. Essa dupla dimens\u00e3o presente no processo de trabalho que, ao mesmo tempo cria e subordina, emancipa e aliena, humaniza e degrada, oferece autonomia, mas gera sujei\u00e7\u00e3o, libera e escraviza, impede que o estudo do trabalho humano seja unilateralizado ou mesmo tratado de modo bin\u00e1rio e mesmo dual.<\/em>&nbsp;(ANTUNES, 2009, p. 49).<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O mundo do trabalho como percep\u00e7\u00e3o do envolvimento distinto dos seres humanos com o conte\u00fado e rela\u00e7\u00f5es laborais n\u00e3o se apresenta est\u00e1vel ao longo do tempo (POCHMANN, 2019). Nessa conjectura, o ser humano torna-se um objeto de explora\u00e7\u00e3o e de subordina\u00e7\u00e3o nas novas rela\u00e7\u00f5es de mercantiliza\u00e7\u00e3o da for\u00e7a de trabalho, expropriando sua pr\u00f3pria vida para mercado\/capitalismo. O trabalho humano tinha que se transformar em uma mercadoria, sem regras para o sistema de mercado, elemento abstrato, sem sentimentos, caracterizado pela simples mercantiliza\u00e7\u00e3o da for\u00e7a de trabalho. Nesse sentido, os pr\u00f3prios cidad\u00e3os, sujeitos de direito, teriam que negociar a sua for\u00e7a de trabalho, pois \u00e9 \u00fanica mercadoria que t\u00eam para negociar e sobreviver.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O capitalismo \u00e9 um elemento camale\u00f4nico que se transforma em diferentes formas em resposta \u00e0s mudan\u00e7as no ambiente socioecon\u00f4mico para suprir suas necessidades de concentra\u00e7\u00e3o de capital e explora\u00e7\u00e3o da for\u00e7a de trabalho. O sistema mudar\u00e1, adaptar-se-\u00e1, mas continuar\u00e1 levando os trabalhadores \u00e0 busca de realiza\u00e7\u00e3o de trabalhos parciais, prec\u00e1rios, tempor\u00e1rios como alternativa \u00e0 sua sobreviv\u00eancia, refletindo as min\u00facias do passado trazendo s\u00e9rios preju\u00edzos aos trabalhadores.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Boltanski e Chiapello (2009) assinalaram uma transforma\u00e7\u00e3o do capitalismo e um novo esp\u00edrito do capitalismo em meados dos anos 1960, 1970 e 1980, isto \u00e9, uma nova reorganiza\u00e7\u00e3o do trabalho e um processo de fragmenta\u00e7\u00e3o sem precedentes nas rela\u00e7\u00f5es de trabalho vigente nas novas pr\u00e1ticas exercidas pelo sistema fabril. \u00c9 observ\u00e1vel que as transforma\u00e7\u00f5es ocorridas no capitalismo ap\u00f3s os anos 1970 apontam para um novo regime de acumula\u00e7\u00e3o, ou melhor, para uma nova faceta do velho capitalismo, nas palavras Harvey (2002). Contudo, as tend\u00eancias de acumula\u00e7\u00e3o e de explora\u00e7\u00e3o capitalista permanecem as mesmas. Antunes (2009) afirma que \u201cfoi nesse contexto que o capital, em escala global, vem redesenhando novas e velhas modalidades de trabalho \u2013 o trabalho prec\u00e1rio \u2013 com o objetivo de recuperar as formas econ\u00f4micas, pol\u00edticas e ideol\u00f3gicas da domina\u00e7\u00e3o burguesa\u201d (ANTUNES, 2009, p. 49).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">N\u00e3o obstante, nesse per\u00edodo avan\u00e7am os novos enfoques das reorganiza\u00e7\u00f5es do mundo trabalho e as suas morfologias para estruturar as pr\u00e1ticas laborais e assim encorpar o novo esp\u00edrito de trabalhador engajado que ir\u00e1 vestir a \u201ccamisa da empresa\u201d. Conforme salienta Antunes (2009), incorporam-se nessa \u00e9poca elementos do discurso oper\u00e1rio, por\u00e9m, sob a clara concep\u00e7\u00e3o burguesa, o ideal burgu\u00eas na alma do proletariado, forjando, dessa forma, um novo trabalhador que entrar\u00e1 s\u00e9culo 21 totalmente fragmentado e destitu\u00eddo de sua identidade social como proletariado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Com as crises econ\u00f4micas, energ\u00e9ticas e da previd\u00eancia, esse contexto de seguran\u00e7a e de estabilidade social presente nas sociedades fordistas entra em crise. Como resposta, surge na produ\u00e7\u00e3o o toyotismo ou p\u00f3s-fordismo, com proposta de organizar a produ\u00e7\u00e3o e o trabalho rompendo com a rigidez corporativa do fordismo, individualizando mais trabalhador e realizando processos de enxugamento dos quadros de funcion\u00e1rios das empresas por meio do deslocamento espacial, terceiriza\u00e7\u00e3o e da subcontrata\u00e7\u00e3o. O mundo do trabalho passa por uma heterogeneidade, uma complexifica\u00e7\u00e3o e uma fragmenta\u00e7\u00e3o (ANTUNES2003, 2009; ANTUNES; ALVES, 2004).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Com as estrutura\u00e7\u00f5es e as flexibiliza\u00e7\u00f5es de trabalho, a for\u00e7a de trabalho tornou-se mais barata ao mercado. Utilizavam-se trabalhadores contratados tempor\u00e1ria e precariamente, os quais, em um per\u00edodo de crescimento da economia, eram exauridos em longas jornadas para atender a n\u00edveis alt\u00edssimos de produtividade; contudo, em um momento de recess\u00e3o, voltavam a condi\u00e7\u00e3o de desempregados. O autor destaca que essa massa de desempregados forma um vasto reservat\u00f3rio de pessoas que ficam \u00e0 margem das rela\u00e7\u00f5es de mercado, e \u00e0 medida que elas v\u00e3o ficando \u00e0 margem dessas rela\u00e7\u00f5es n\u00e3o t\u00eam mais lugar na sociedade, que \u00e9 dominada pelo mercado. Em outras palavras, se o trabalhador n\u00e3o consegue vender a sua for\u00e7a de trabalho, n\u00e3o consegue sobreviver. Antunes (2009) ainda ressalta:<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p><em>A flexibiliza\u00e7\u00e3o pode ser entendida como \u201cliberdade da empresa\u201d para desempregar trabalhadores; sem penalidades, quando a produ\u00e7\u00e3o e as vendas diminuem; liberdade, sempre para a empresa, para reduzir o hor\u00e1rio de trabalho ou de recorrer a mais horas de trabalho; possibilidade de pagar sal\u00e1rios reais mais baixos do que a paridade de trabalho exige; possibilidade de subdividir a jornada de trabalho em dia e semana segundo as conveni\u00eancias das empresas, mudando os hor\u00e1rios e as caracter\u00edsticas do trabalho (por Semin\u00e1rio Nacional de Sa\u00fade Mental e Trabalho \u2013 S\u00e3o Paulo, 28 e 29 de novembro de 2008 turno, por escala, em tempo parcial, hor\u00e1rio flex\u00edvel etc.), dentre tantas outras formas de precariza\u00e7\u00e3o da for\u00e7a de trabalho.<\/em>&nbsp;(ANTUNES, 2009, p. 50).<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Parafraseando Karl Marx (2011), ao promover a seculariza\u00e7\u00e3o da liberdade e da igualdade, a democracia representativa burguesa mobilizou as massas e reiteradamente as traiu e as abateu. A sociedade capitalista precisa contar de modo crescente com as massas, integr\u00e1-las \u00e0 normalidade econ\u00f4mica e pol\u00edtica para assegurar o dom\u00ednio em uma falsa ilus\u00e3o de participa\u00e7\u00e3o e liberdade. A sociedade burguesa moderna, que brotou das ru\u00ednas da sociedade feudal, n\u00e3o aboliu os antagonismos de classe. N\u00e3o fez mais do que estabelecer novas classes, novas condi\u00e7\u00f5es de opress\u00e3o e de explora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nesse sentido, h\u00e1 necessidade de explicitar-se o conceito de liberdade. A l\u00f3gica do sistema capitalista camufla a liberdade, como uma mera mercadoria. O Estado, ao possibilitar a liberdade aos cidad\u00e3os, livres e iguais, aceita que negociem, contratem e comercializem nos mercados, adentrando na l\u00f3gica de fetichiza\u00e7\u00e3o do mercado neoliberal. Desse modo, Antunes (2009) considera que a<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p><em>[\u2026] flexibiliza\u00e7\u00e3o, \u00e9 uma imposi\u00e7\u00e3o \u00e0 for\u00e7a de trabalho para que sejam aceitos sal\u00e1rios reais mais baixos e em piores condi\u00e7\u00f5es. \u00c9 nesse contexto que est\u00e3o sendo refor\u00e7adas as novas ofertas de trabalho, por meio do denominado mercado ilegal, no qual est\u00e1 sendo difundido o trabalho irregular, prec\u00e1rio e sem garantias.<\/em>&nbsp;(ANTUNES, 2009, p. 7).<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Corroborando desse ponto de vista, Boltanski e Chiapelllo (2009) refor\u00e7am que h\u00e1 configura\u00e7\u00e3o de novos valores sociais que tornam o sujeito cada vez mais desenraizado, desvinculado e flex\u00edvel, al\u00e9m de uma ideia de cidadania ligada ao consumo. Essas seriam caracter\u00edsticas de um novo esp\u00edrito do capitalismo. De tal modo, surge um trabalhador baseado em um novo saber-ser, um trabalhador que precisa ser polivalente, flex\u00edvel, engajado, proativo, competente, tendo ainda como principal caracter\u00edstica a sua fluidez produzida por um processo de desenraizamento. Com as mudan\u00e7as estruturais do mundo do trabalho e a coopta\u00e7\u00e3o no sentido do trabalho, flexibilizando a identidade de classe, t\u00eam-se um enfraquecimento de pertencimento de classe do sujeito trabalhador e uma incorpora\u00e7\u00e3o do esp\u00edrito burgu\u00eas para sustenta\u00e7\u00e3o da explora\u00e7\u00e3o. Na atual conjuntura, at\u00e9 nome trabalhador foi abolido do vocabul\u00e1rio, suavizando a labuta de explora\u00e7\u00e3o, tornando o sujeito um \u201ccolaborador\u201d da empresa. Enfatizando a perten\u00e7a de subordina\u00e7\u00e3o alienante das novas rela\u00e7\u00f5es trabalhista do mundo atual, desconfigura-se a categoria trabalho e engessa-se a possibilidade de aglutinar for\u00e7as para garantir os direitos que est\u00e3o\/foram perdidos no decorrer das mudan\u00e7as estruturais do sistema capitalista.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00c9 nesse sentido que o Estado se adapta \u00e0s necessidades do capital, parafraseando Marx (2017), o Estado, nesse contexto, representa o comit\u00ea executivo da burguesia. Pode-se correlacionar essa afirma\u00e7\u00e3o com as mudan\u00e7as ocorridas na(s) reforma(s) trabalhista(s) e do Ensino M\u00e9dio em 2017. Conforme ressaltam Druck, Dutra e Silva (2019), a aprova\u00e7\u00e3o da Lei 13.467, em julho de 2017, foi poss\u00edvel porque se vive em uma conjuntura \u2013 internacional e nacional \u2013 favor\u00e1vel a essa ofensiva de desmonte dos direitos sociais e trabalhistas. Ademais, os autores afirmam que \u201co capitalismo globalizado, hegemonizado pelo capital financeiro, vem transformando a economia, impondo sua l\u00f3gica de curto prazo e de volatilidade a todas as demais atividades econ\u00f4micas e aos modos de gest\u00e3o do trabalho\u201d (DRUCK; DUTRA; SILVA, 2019, p. 290).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Um dos principais impactos da reforma trabalhista refere-se a terceiriza\u00e7\u00f5es nas rela\u00e7\u00f5es de trabalho, as quais geram precariza\u00e7\u00e3o no trabalho, reduzem direitos e impedem o acesso \u00e0 justi\u00e7a pelo trabalhador. Tais mudan\u00e7as legislativas representam, em sua ess\u00eancia, a extin\u00e7\u00e3o dos direitos trabalhistas. Nesse processo, flexibilizaram-se as rela\u00e7\u00f5es sociais existentes no trabalho. O trabalhador terceirizado n\u00e3o se socializa no trabalho, n\u00e3o tem v\u00ednculos sociais e consequentemente n\u00e3o se identifica com os sindicatos, fragilizando-se as identidades de classes nessas novas rela\u00e7\u00f5es. O trabalhador transfigura-se em um ser mut\u00e1vel e sem representa\u00e7\u00f5es de classes. Com isso, aumenta-se enormemente o poder do capital sobre o trabalhador. O setor produtivo inter-relaciona-se com o setor de servi\u00e7os, distinguindo-se e dissipando-se a partir de novas formas organizacionais e tecnologias de gest\u00e3o, tudo em prol da nova l\u00f3gica de mercado. Percebe-se que os setores da for\u00e7a de trabalho foram terceirizados ou quarteirizados, seguindo a l\u00f3gica e tend\u00eancia mundial do sistema neoliberal.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Assim sendo, toda reforma trabalhista carrega consigo o triplo de mudan\u00e7as das estruturas do Estado a favor do interesse do capital (burguesia interna e externa). As mudan\u00e7as ocorreram em conson\u00e2ncia com a Reforma do Ensino M\u00e9dio, a Reforma Trabalhista e a Reforma da Previd\u00eancia. Essas tr\u00eas reformas necessitam estar interligadas para atender aos interesses das grandes coopera\u00e7\u00f5es do capital. N\u00e3o se faz reforma trabalhista sem alterar a educa\u00e7\u00e3o e a previd\u00eancia. O interesse \u00e9 a jun\u00e7\u00e3o das estruturas para correlacionar o desmonte dos direitos garantido a duras batalhas de sangue na hist\u00f3ria da classe trabalhadora. A reforma do ensino escancara a fun\u00e7\u00e3o de adestramento precoce dos estudantes das classes trabalhadoras, dificultando-se o acesso \u00e0 universidade e ao mundo do trabalho mais qualificado e potencialmente transformador.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Destarte, a Reforma Trabalhista, promulgada pela Lei n. 13.467\/2017, e a Reforma do Ensino M\u00e9dio, com base na Lei n. 13.415\/2017, respectivamente, t\u00eam por ess\u00eancia retirar os diretos conquistados pelos trabalhadores e retomar a dualidade hist\u00f3rica na qual os filhos dos trabalhadores s\u00e3o formados para o ch\u00e3o de f\u00e1bricas e a elite recebe educa\u00e7\u00e3o diferenciada. A (des)reforma trabalhista alicer\u00e7ou o fim da prote\u00e7\u00e3o dos direitos sociais e suas bases das organiza\u00e7\u00f5es sindicais, ficando o trabalhador \u00e0 deriva ao mercado\/capital, flexibilizando as rela\u00e7\u00f5es e enfraquecendo os direitos trabalhistas. A responsabilidade fica a cargo do indiv\u00edduo, em uma sociedade que \u00e9 permeada pelo lucro. O ser humano torna-se meramente uma mercadoria para satisfazer o capital. Em outras palavras, se o trabalhador n\u00e3o consegue vender a sua for\u00e7a de trabalho, n\u00e3o consegue sobreviver. Nesse sentido, submete-se aos ditames do capital.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>REFER\u00caNCIAS<\/p><p>ANTUNES, R.&nbsp;<strong>Adeus ao trabalho?: ensaio sobre as metamorfoses e a centralidade do mundo do trabalho<\/strong>. 9. ed. S\u00e3o Paulo: Cortez, 2003.<\/p><p>ANTUNES, R.; ALVES, G.&nbsp;<strong>As muta\u00e7\u00f5es no mundo do trabalho na era da mundializa\u00e7\u00e3o do capital<\/strong>. Educa\u00e7\u00e3o &amp; Sociedade, Campinas, vol. 25, n. 87, p. 335-351, maio\/ago. 2004.<\/p><p>ANTUNES, R.&nbsp;<strong>O trabalho, sua nova morfologia e a era da precariza\u00e7\u00e3o estrutural<\/strong>. Revista Theomai, n.19, p. 47-57, jan.\/jul. 2009. Dispon\u00edvel em: https:\/\/www.redalyc.org\/pdf\/124\/12415104007.pdf. Acesso em: 15 out. 2020.<\/p><p>BOLTANSKI, L; CHIAPELLO, E.&nbsp;<strong>O novo esp\u00edrito do capitalismo<\/strong>. S\u00e3o Paulo: Martins Fontes, 2009.<\/p><p>DRUCK, G.; DUTRA, R.; SILVA, S. C.&nbsp;<strong>A contrarreforma neoliberal e a terceiriza\u00e7\u00e3o: a precariza\u00e7\u00e3o como regra<\/strong>. Cad. CRH,&nbsp; Salvador,&nbsp; v. 32, n. 86, p. 289-306,&nbsp; ago.&nbsp; 2019. Dispon\u00edvel em: http:\/\/www.scielo.br\/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S0103-49792019000200289&amp;lng=en&amp;nrm=iso. Acesso em: 23&nbsp; out.&nbsp; 2020.&nbsp;<\/p><p>HARVEY, D.&nbsp;<strong>Condi\u00e7\u00e3o P\u00f3s-Moderna: uma pesquisa sobre as origens da mudan\u00e7a cultural<\/strong>. S\u00e3o Paulo: Loyola, 1992.<\/p><p>MARX, K.&nbsp;<strong>O Capital: cr\u00edtica da economia pol\u00edtica<\/strong>. Livro I: o processo de produ\u00e7\u00e3o do capital; tradu\u00e7\u00e3o Rubens Enderle. 2.ed. S\u00e3o Paulo: Boitempo, 2017.<\/p><p>POCHMANN, M.&nbsp;&nbsp;<strong>Tend\u00eancias do mundo do trabalho no Brasil<\/strong>. Ci\u00eancia &amp; Sa\u00fade Coletiva, n. 25, v. 1, p. 89-99, dez. 2019. Dispon\u00edvel em: https:\/\/www.scielo.br\/pdf\/csc\/v25n1\/1413-8123-csc-25-01-0089. Pdf. Acesso em: 15 out. 2020.<\/p><\/blockquote>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>As transforma\u00e7\u00f5es do mundo do trabalho v\u00eam percorrendo os s\u00e9culos 18 a 21, que est\u00e3o permeados de mudan\u00e7as e de transforma\u00e7\u00f5es na estrutura social movidas pelo moinho sat\u00e2nico do capital. 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