{"id":264,"date":"2009-07-28T19:31:46","date_gmt":"2009-07-28T19:31:46","guid":{"rendered":"http:\/\/sinservregional.com.br\/site\/?p=264"},"modified":"2009-07-28T19:31:46","modified_gmt":"2009-07-28T19:31:46","slug":"as-minirrejeicoes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sinservregional.com.br\/site\/?p=264","title":{"rendered":"As minirrejei\u00e7\u00f5es"},"content":{"rendered":"<p align=\"justify\"><span style=\"color: #333333; font-family: 'Arial','sans-serif'\"><font size=\"3\"><\/p>\n<div style=\"text-align: center\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" size-full wp-image-263\" src=\"https:\/\/sinservregional.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2009\/07\/juji.jpg\" border=\"0\" width=\"402\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/sinservregional.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2009\/07\/juji.jpg 402w, https:\/\/sinservregional.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2009\/07\/juji-300x224.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 402px) 100vw, 402px\" \/><\/div>\n<p><\/font><\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"color: #333333; font-family: 'Arial','sans-serif'\"><font size=\"3\">Eu sei, voc\u00ea sabe, todo mundo sabe, viver \u00e9 extremamente tenso. Atribua \u00e0 conta de um daqueles mecanismos involunt\u00e1rios de autopreserva\u00e7\u00e3o a capacidade desenvolvida pelos cidad\u00e3os considerados normais, de relevar o potencial nocivo inerente \u00e0s experi\u00eancias sociais cotidianas. E olha que aqui n\u00e3o me refiro aos engarrafamentos, \u00e0s filas de banco, nem \u00e0 implic\u00e2ncia do patr\u00e3o, e sim \u00e0s situa\u00e7\u00f5es que vez ou outra nos esfregam na cara o qu\u00e3o dif\u00edcil \u00e9 lidar com a rejei\u00e7\u00e3o, seja em que n\u00edvel for.<\/font><\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"color: #333333; font-family: 'Arial','sans-serif'\"><font size=\"3\">Enquanto reuno argumentos para sustentar minha teoria, torna-se mais e mais claro como alguns comportamentos extremos poderiam ser justificados como incapacidade em tolerar publicamente a press\u00e3o do julgamento alheio. Indo direto ao ponto, \u00e9 o caso, por exemplo, da mulher que resolve mandar bala no marido ad\u00faltero, ou do sujeito, humilhado, que sequestra um \u00f4nibus para chamar a aten\u00e7\u00e3o da ex-namorada.<\/font><\/span><span style=\"color: #333333; font-family: 'Arial','sans-serif'\"><font size=\"3\">Mas nem s\u00f3 atrav\u00e9s de acontecimentos tr\u00e1gicos como estes caminha a humanidade. Numa outra esfera, bem distante das p\u00e1ginas policiais ou do banco dos r\u00e9us, encontra-se incubada a dimens\u00e3o diminuta deste mesmo sentimento, aquela pass\u00edvel de ser experimentada por qualquer pessoa de bem. <\/font><\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"color: #333333; font-family: 'Arial','sans-serif'\"><font size=\"3\">S\u00e3o as minirrejei\u00e7\u00f5es (Jesus, como isso soa estranho depois da reforma ortogr\u00e1fica).<\/font><\/span><span style=\"color: #333333; font-family: 'Arial','sans-serif'\"><font size=\"3\">Estou certo de que voc\u00ea j\u00e1 passou por algo parecido: mesa grande, lugar barulhento, uma pergunta ou um coment\u00e1rio dirigido a algu\u00e9m l\u00e1 na outra ponta. O pr\u00f3prio n\u00e3o ouve, mas os demais, sentados pr\u00f3ximos a ele, sim. Suas palavras permanecem, ent\u00e3o, ecoando no vazio, suspensas no ar, sem resposta. Aqueles segundos s\u00e3o insuport\u00e1veis, n\u00e9? Meio sem gra\u00e7a voc\u00ea tenta mais uma vez: \u201cmas hein, fulano, eu estava dizendo que\u2026\u201d. V\u00e1cuo, de novo.<\/font><\/span><span style=\"color: #333333; font-family: 'Arial','sans-serif'\"><font size=\"3\">O cara ao seu lado se constrange, ri de nervoso, mais alguns segundos se passam. Agora voc\u00ea n\u00e3o hesita em gritar o nome de quem te ignora, e quase todo mundo no restaurante j\u00e1 percebeu seu empenho, que n\u00e3o se justifica, afinal o coment\u00e1rio nem faz mais sentido depois de tanto tempo. <\/font><\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"color: #333333; font-family: 'Arial','sans-serif'\"><font size=\"3\">Provavelmente, se ainda assim n\u00e3o for atendido, voc\u00ea levantar\u00e1 de seu lugar para cutucar o ombro, ou quem saber disparar um soco certeiro na nuca do seu amigo.<\/font><\/span><span style=\"color: #333333; font-family: 'Arial','sans-serif'\"><font size=\"3\">Uma varia\u00e7\u00e3o disto \u00e9 aquele cumprimento lan\u00e7ado de longe, que em seguida vira uma tentativa canhestra de passar a m\u00e3o no cabelo ou de alisar a barriga, visto que n\u00e3o foi correspondido. Ning\u00faem, eu disse ningu\u00e9m, nem mesmo o rei da autoconfian\u00e7a, aguenta admitir um aceno para as paredes, ou sustentar a m\u00e3o estendida sem aperto. D\u00f3i demais. Mas talvez a pior dentre todas as modalidades de minirrejei\u00e7\u00e3o social, pior at\u00e9 do que as evidenciadas pelos relacionamentos amorosos, seja a decorrente da pergunta \u201clembra de mim?\u201d. Nunca, em nenhuma hip\u00f3tese, tais palavras devem ser proferidas. H\u00e1 outros meios menos contundentes de se obter tal confirma\u00e7\u00e3o, sem correr o risco de causar embara\u00e7o para ambas as partes.<\/font><\/span><span style=\"color: #333333; font-family: 'Arial','sans-serif'\"><font size=\"3\">Aqui no blog tenho obtido provas concretas de como uma leve suspeita de minirrejei\u00e7\u00e3o j\u00e1 consegue transformar elogios em xingamentos. <\/font><\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"color: #333333; font-family: 'Arial','sans-serif'\"><font size=\"3\">Basta que os coment\u00e1rios demorem um pouco a ser publicados para determinados leitores se enfezarem. No entanto, tais palavras, carregadas de \u00f3dio e de rancor, n\u00e3o me aborrecem, muito menos me fazem sentir minirrejeitado. Tenho plena consci\u00eancia de como \u00e9 desagrad\u00e1vel estar submetido a este c\u00f3digo que supervaloriza a aceita\u00e7\u00e3o do outro, e sob o qual estamos expostos\u00a0\u00a0 desde a inf\u00e2ncia.<\/font><\/span><span style=\"color: #333333; font-family: 'Arial','sans-serif'\"><font size=\"3\">Da pr\u00f3xima vez em que se sentir minirrejeitado, fa\u00e7a como eu. Pense na situa\u00e7\u00e3o daquelas pessoas que declaram seus amores nos programas de audit\u00f3rios, e que, portanto, tomam toco na frente de centenas de milhares de telespectadores.<\/font><\/span><span style=\"color: #333333; font-family: 'Arial','sans-serif'\"><font size=\"3\">\u00a0\u00c9 um m\u00e9todo politicamente incorreto, mas, sem sombra de d\u00favida, bastante eficiente.<\/font><\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-size: 10pt; line-height: 115%; font-family: 'Verdana','sans-serif'\"><font color=\"#000000\">Por Bruno Medina <\/font><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Eu sei, voc\u00ea sabe, todo mundo sabe, viver \u00e9 extremamente tenso. Atribua \u00e0 conta de um daqueles mecanismos involunt\u00e1rios de autopreserva\u00e7\u00e3o a capacidade desenvolvida pelos cidad\u00e3os considerados normais, de relevar o potencial nocivo inerente \u00e0s experi\u00eancias sociais cotidianas. 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