{"id":1563,"date":"2011-05-11T15:45:13","date_gmt":"2011-05-11T15:45:13","guid":{"rendered":"http:\/\/sinservregional.com.br\/site\/?p=1563"},"modified":"2011-05-11T15:45:13","modified_gmt":"2011-05-11T15:45:13","slug":"o-sindicalismo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sinservregional.com.br\/site\/?p=1563","title":{"rendered":"O sindicalismo"},"content":{"rendered":"<p><span style=\"line-height: 150%; font-family: 'Verdana','sans-serif'; color: black; font-size: 10pt\"><\/p>\n<div style=\"text-align: center\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/passapalavra.info\/wp-content\/uploads\/2009\/02\/f090130_operariospt2.jpg\" border=\"0\" hspace=\"10\" width=\"120\" height=\"74\" align=\"left\" \/><\/div>\n<p align=\"justify\"><span style=\"line-height: 150%; font-family: 'Verdana','sans-serif'; color: black; font-size: 10pt\">De que modo deve a classe oper\u00e1ria lutar para vencer o capitalismo? \u00c9 esta a quest\u00e3o primordial que se coloca todos os dias aos trabalhadores. Quais os meios de ac\u00e7\u00e3o eficazes e quais as t\u00e1cticas que necessitar\u00e3o de empregar para conquistar o poder e vencer o inimigo? N\u00e3o existe nenhuma ci\u00eancia ou teoria que lhes possa indicar com precis\u00e3o o caminho a seguir.<\/span> <\/p>\n<p><\/span> <!--more--> <\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"line-height: 150%; font-family: 'Verdana','sans-serif'; color: black; font-size: 10pt\">\u00c9 tacteando, deixando exprimir o seu instinto e a sua espontaneidade que encontrar\u00e3o o caminho. Quanto mais o capitalismo se desenvolve e se propaga por todo o mundo, maior \u00e9 o poder dos trabalhadores. Novos modo de ac\u00e7\u00e3o mais apropriados v\u00eam juntar-se aos antigos. As t\u00e1cticas da luta de classes t\u00eam necessariamente de se adaptar \u00e0 evolu\u00e7\u00e3o social. O sindicalismo surge como a forma primitiva do movimento oper\u00e1rio num sistema capitalista est\u00e1vel. O trabalhador independente n\u00e3o tem defesa face ao patr\u00e3o capitalista. Por isso os oper\u00e1rios se organizaram em sindicatos. Estes re\u00fanem os oper\u00e1rios na ac\u00e7\u00e3o colectiva e utilizam a greve como arma principal. <\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"line-height: 150%; font-family: 'Verdana','sans-serif'; color: black; font-size: 10pt\">O equil\u00edbrio do poder fica assim mais ou menos realizado; acontece mesmo inclinar-se mais fortemente para o lado dos oper\u00e1rios, de tal modo que os pequenos patr\u00f5es isolados se v\u00eaem impotentes perante os grandes sindicatos. \u00c9 por isso que, nos pa\u00edses em que o capitalismo est\u00e1 mais desenvolvido, os sindicatos de oper\u00e1rios e de patr\u00f5es (sendo estes as associa\u00e7\u00f5es, os trusts, as sociedades etc.) est\u00e3o constantemente em luta.<\/span><span style=\"line-height: 150%; font-family: 'Verdana','sans-serif'; color: black; font-size: 10pt\">Foi na Inglaterra que nasceu o sindicalismo paralelamente aos primeiros vagidos do capitalismo. <\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"line-height: 150%; font-family: 'Verdana','sans-serif'; color: black; font-size: 10pt\">Em seguida estender-se-ia aos outros pa\u00edses, como fiel companheiro do sistema capitalista. Conheceu condi\u00e7\u00f5es particulares nos Estados Unidos, onde a quantidade de terras livres a desabitadas que se oferecia aos pioneiros escoou a m\u00e3o-de-obra para fora das cidades; como consequ\u00eancia, os oper\u00e1rios obtiveram sal\u00e1rios elevados e condi\u00e7\u00f5es de trabalho relativamente boas. <\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"line-height: 150%; font-family: 'Verdana','sans-serif'; color: black; font-size: 10pt\">A Federa\u00e7\u00e3o Americana do Trabalho constitu\u00eda uma verdadeira for\u00e7a no pa\u00eds e a maior parte das vezes, foi capaz de manter um n\u00edvel de vida suficientemente elevado entre os oper\u00e1rios que nela estavam filiados.<\/span><span style=\"line-height: 150%; font-family: 'Verdana','sans-serif'; color: black; font-size: 10pt\">Em tais condi\u00e7\u00f5es a ideia de derrubar o capitalismo n\u00e3o podia germinar no esp\u00edrito dos trabalhadores americanos. O capitalismo oferecia-lhe uma exist\u00eancia est\u00e1vel e f\u00e1cil. N\u00e3o se consideravam como uma classe \u00e0 parte cujos interesses fossem opostos \u00e0 ordem existente; eram parte integrante dela e estavam conscientes de poderem ter acesso a todas as possibilidades que lhes oferecia um capitalismo em desenvolvimento num novo continente. Havia espa\u00e7o suficiente para acolher milh\u00f5es de indiv\u00edduos, europeus na sua maioria. Era preciso oferecer a esses milh\u00f5es de colonos um industria em expans\u00e3o na qual os oper\u00e1rios, dando mostras de energia e de boa vontade, poderiam elevar-se \u00e0 categoria de oper\u00e1rios livres, de pequenos comerciantes ou mesmo ricos capitalistas. <\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"line-height: 150%; font-family: 'Verdana','sans-serif'; color: black; font-size: 10pt\">N\u00e3o \u00e9 surpreendente que a classe oper\u00e1ria americana tenha sido imbu\u00edda de um verdadeiro esp\u00edrito capitalista.<\/span><span style=\"line-height: 150%; font-family: 'Verdana','sans-serif'; color: black; font-size: 10pt\">O mesmo aconteceu em Inglaterra. Tendo assegurado o monop\u00f3lio do mercado mundial, a supremacia nos mercados internacionais e a posse de ricas col\u00f3nias, a Inglaterra acumulou uma fortuna consider\u00e1vel. A classe capitalista, que n\u00e3o tinha que se bater pela sua parte de lucro, podia conceder aos oper\u00e1rios um modo de vida relativamente desafogado. \u00c9 certo que teve de travar algumas batalhas antes de se decidir a adoptar esta atitude, mas depressa compreenderia que, autorizando os sindicatos e garantindo os sal\u00e1rios, assegurava a paz nas f\u00e1bricas. A classe oper\u00e1ria inglesa foi ent\u00e3o por sua vez marcada pelo esp\u00edrito capitalista.<\/span><span style=\"line-height: 150%; font-family: 'Verdana','sans-serif'; color: black; font-size: 10pt\">Tudo isto est\u00e1 bem de acordo com o verdadeiro car\u00e1cter do sindicalismo. <\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"line-height: 150%; font-family: 'Verdana','sans-serif'; color: black; font-size: 10pt\">O objectivo do sindicalismo n\u00e3o \u00e9 substituir o sistema capitalista por um outro modo de produ\u00e7\u00e3o, mas melhorar as condi\u00e7\u00f5es de vida no pr\u00f3prio interior do capitalismo. A ess\u00eancia do sindicalismo n\u00e3o \u00e9 revolucion\u00e1ria mas conservadora.<\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"line-height: 150%; font-family: 'Verdana','sans-serif'; color: black; font-size: 10pt\">A ac\u00e7\u00e3o sindicalista faz parte naturalmente da luta de classes. O capitalismo assenta num antagonismo de classes, tendo os oper\u00e1rios e os capitalistas interesses opostos. Isto \u00e9 verdade, n\u00e3o s\u00f3 no que diz respeito \u00e0 manuten\u00e7\u00e3o do regime capitalista, mas tamb\u00e9m no que se refere \u00e0 reparti\u00e7\u00e3o do produto nacional bruto. Os capitalistas tentam aumentar os seus lucros &#8211; a mais valia &#8211; diminuindo os sal\u00e1rios e aumentando o n\u00famero de horas ou a cad\u00eancia do trabalho. Os oper\u00e1rios, por seu lado, procuram aumentar os seus sal\u00e1rios e reduzir os seus hor\u00e1rios. O pre\u00e7o da sua for\u00e7a de trabalho n\u00e3o \u00e9 uma quantidade determinada, embora deva ser superior ao que \u00e9 necess\u00e1rio para que um indiv\u00edduo n\u00e3o morra de fome; e o capitalista n\u00e3o paga de boa vontade. Este antagonismo \u00e9 assim gerador de reivindica\u00e7\u00f5es e da verdadeira luta de classes. A tarefa e o papel dos sindicatos consiste em continuar a luta.<\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"line-height: 150%; font-family: 'Verdana','sans-serif'; color: black; font-size: 10pt\">O sindicalismo foi a primeira escola de aprendizagem do proletariado; ensinou-lhes que a solidariedade estava no centro do combate organizado. Incarnou a primeira forma de organiza\u00e7\u00e3o do poder dos trabalhadores. Esta caracter\u00edstica muitas vezes se fossilizou nos primeiros sindicatos ingleses e americanos que degeneraram em simples corpora\u00e7\u00f5es, evolu\u00e7\u00e3o tipicamente capitalista. Tal n\u00e3o aconteceu nos pa\u00edses onde os oper\u00e1rios tiveram de se bater pela sua sobreviv\u00eancia, onde, apesar de todos os seus esfor\u00e7os, os sindicatos n\u00e3o conseguiram obter uma melhoria do n\u00edvel de vida e onde o sistema capitalista em plena expans\u00e3o empregava toda a sua energia a combater os trabalhadores. Nesses pa\u00edses, os oper\u00e1rios tiveram de apreender que s\u00f3 a revolu\u00e7\u00e3o os poderia salvar para sempre.<\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"line-height: 150%; font-family: 'Verdana','sans-serif'; color: black; font-size: 10pt\">Existe sempre uma diferen\u00e7a entre a classe oper\u00e1ria e os sindicatos. A classe oper\u00e1ria deve olhar para al\u00e9m do capitalismo, enquanto que o sindicalismo est\u00e1 inteiramente confinado nos limites do sistema capitalista. O sindicalismo s\u00f3 pode representar uma parte, necess\u00e1ria mas \u00ednfima da luta de classes. Ao desenvolver-se, deve necessariamente entrar em conflito com a classe oper\u00e1ria, a qual pretende ir mais longe.<\/span><span style=\"line-height: 150%; font-family: 'Verdana','sans-serif'; color: black; font-size: 10pt\">Os sindicatos crescem \u00e0 medida que se desenvolvem o capitalismo e a grande ind\u00fastria, at\u00e9 se tornarem gigantescas organiza\u00e7\u00f5es que integram milhares de adeptos, se estendem por todo um pa\u00eds e t\u00eam ramifica\u00e7\u00f5es em cada cidade e em cada f\u00e1brica. S\u00e3o nomeados funcion\u00e1rios: presidentes, secret\u00e1rios, tesoureiros, dirigem os neg\u00f3cios, ocupam-se das finan\u00e7as tanto \u00e0 escala local como a n\u00edvel central. Estes funcion\u00e1rios s\u00e3o os dirigentes dos sindicatos. S\u00e3o eles que conduzem as negocia\u00e7\u00f5es com os capitalistas, tarefa em que se tornaram mestres. <\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"line-height: 150%; font-family: 'Verdana','sans-serif'; color: black; font-size: 10pt\">O presidente de um sindicato \u00e9 um personagem importante que trata de igual para igual o patr\u00e3o capitalista e com ele discute os interesses dos trabalhadores. Os funcion\u00e1rios s\u00e3o os especialistas do trabalho sindical, enquanto que os oper\u00e1rios especializados, absorvidos pelo seu trabalho na f\u00e1brica, n\u00e3o podem nem deliberar nem dirigir por si pr\u00f3prios.<\/span><span style=\"line-height: 150%; font-family: 'Verdana','sans-serif'; color: black; font-size: 10pt\">Uma tal organiza\u00e7\u00e3o j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 unicamente uma assembleia de oper\u00e1rios; forma um corpo organizado, que possui uma pol\u00edtica, um car\u00e1cter, uma mentalidade, tradi\u00e7\u00f5es e fun\u00e7\u00f5es que lhe s\u00e3o pr\u00f3prias. Os seus interesses s\u00e3o diferentes do da classe oper\u00e1ria e n\u00e3o recuar\u00e1 perante nenhum combate para os defender. Se algum dia os sindicatos perdessem a sua utilidade, ainda assim n\u00e3o desapareceriam. Os seus fundos, os seus adeptos, os seus funcion\u00e1rios, s\u00e3o outras tantas realidades que n\u00e3o est\u00e3o a ponto de se dissolverem de um momento para o outro.<\/span><span style=\"line-height: 150%; font-family: 'Verdana','sans-serif'; color: black; font-size: 10pt\">Os funcion\u00e1rios sindicais, os dirigentes do movimento oper\u00e1rio, s\u00e3o os defensores dos interesses particulares dos sindicatos. Apesar das suas origens oper\u00e1rias, adquiriram, ap\u00f3s longos anos de experi\u00eancia \u00e0 cabe\u00e7a da organiza\u00e7\u00e3o, um novo caracter social. <\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"line-height: 150%; font-family: 'Verdana','sans-serif'; color: black; font-size: 10pt\">Em cada grupo social que se torna suficientemente importante para constituir um grupo \u00e0 parte, a natureza do trabalho molda e determina os modos de pensamento e de ac\u00e7\u00e3o. O papel dos sindicalistas n\u00e3o \u00e9 o mesmo que o dos oper\u00e1rios. Eles n\u00e3o trabalham na f\u00e1brica, n\u00e3o s\u00e3o explorados pelos capitalistas, n\u00e3o s\u00e3o amea\u00e7ados pelo desemprego. Est\u00e3o instalados em gabinetes, em lugares relativamente est\u00e1veis. Discutem quest\u00f5es sindicais, t\u00eam a palavra nas assembleias de oper\u00e1rios e negoceiam com os patr\u00f5es. Decerto, devem estar do lado dos oper\u00e1rios, cujos interesses e reivindica\u00e7\u00f5es contra os capitalistas devem defender. Mas nisso, o seu papel em nada difere do do advogado de uma organiza\u00e7\u00e3o qualquer.<\/span><span style=\"line-height: 150%; font-family: 'Verdana','sans-serif'; color: black; font-size: 10pt\">Existe contudo, uma diferen\u00e7a, porque a maior parte dos dirigentes sindicais, sa\u00eddos das fileiras da classe oper\u00e1ria, sofreram eles pr\u00f3prios, a experi\u00eancia da explora\u00e7\u00e3o capitalista. Consideram-se como fazendo parte da classe oper\u00e1ria, cujo esp\u00edrito de classe est\u00e1 longe de se extinguir. No entanto, o seu novo modo de vida tende a enfraquecer neles essa tradi\u00e7\u00e3o ancestral. No plano econ\u00f3mico, j\u00e1 n\u00e3o podem ser considerados como prolet\u00e1rios. Eles caminham ao lado dos capitalistas, negoceiam com eles os sal\u00e1rios e as horas de trabalho, cada parte fazendo valer os seus pr\u00f3prios interesses, rivalizando do mesmo modo que duas empresas capitalistas. Apreendem a conhecer o ponto de vista dos capitalistas t\u00e3o bem como o dos trabalhadores; preocupam-se com os &#8220;interesses da ind\u00fastria&#8221;; procuram agir como mediadores. Pode haver excep\u00e7\u00f5es ao n\u00edvel dos indiv\u00edduos, mas regra geral, n\u00e3o podem ter esse sentimento de pertencerem a uma classe como t\u00eam os oper\u00e1rios, pois que estes n\u00e3o procuram compreender nem tomar em considera\u00e7\u00e3o os interesses dos capitalista, mas lutam pelos seus pr\u00f3prios interesses. Por conseguinte os sindicalistas entram necessariamente em conflito com os oper\u00e1rios.<\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"line-height: 150%; font-family: 'Verdana','sans-serif'; color: black; font-size: 10pt\">Nos pa\u00edses capitalistas avan\u00e7ados, os dirigentes sindicais s\u00e3o suficientemente numerosos para constituir um grupo \u00e0 parte, com um car\u00e1cter e interesses separados. Na qualidade de representantes e dirigentes dos sindicatos, encarnam o car\u00e1cter e interesses desses sindicatos. Visto que os sindicatos est\u00e3o intrinsecamente ligados ao capitalismo, os seus dirigentes consideram-se elementos indispens\u00e1veis \u00e0 sociedade capitalista. As fun\u00e7\u00f5es capitalistas dos sindicatos consistem em regular os conflito de classe e assegurar a paz nas f\u00e1bricas. Por conseguinte, os dirigentes sindicais consideram ser seu dever como cidad\u00e3os trabalhar pela manuten\u00e7\u00e3o da paz nas f\u00e1bricas e intrometer-se nos conflitos. Nunca olham para al\u00e9m do sistema capitalista. Est\u00e3o inteiramente ao servi\u00e7o dos sindicatos e a sua exist\u00eancia est\u00e1 indissoluvelmente ligada \u00e0 causa do sindicalismo. Para eles, os sindicatos s\u00e3o os \u00f3rg\u00e3os mais essenciais \u00e0 sociedade, a \u00fanica fonte de seguran\u00e7a e de for\u00e7a; devem, por conseguinte, ser defendidos por todos os meios poss\u00edveis.<\/span><span style=\"line-height: 150%; font-family: 'Verdana','sans-serif'; color: black; font-size: 10pt\">Concentrando os capitais em poderosas empresas, os patr\u00f5es encontram-se numa posi\u00e7\u00e3o de for\u00e7a em rela\u00e7\u00e3o aos oper\u00e1rios. Os grandes magnates da industria reinam como monarcas absolutos sobre as massas oper\u00e1rias que mant\u00eam sob a sua depend\u00eancia e que impedem de aderir aos sindicatos. Por vezes acontece que estes escravos do capitalismo se insurgem contra os seus senhores e fazem greve, reclamando melhores condi\u00e7\u00f5es de trabalho, hor\u00e1rios menos carregados, o direito de se organizarem. <\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"line-height: 150%; font-family: 'Verdana','sans-serif'; color: black; font-size: 10pt\">Os sindicalistas acorrem em sua ajuda. \u00c9 ent\u00e3o que os patr\u00f5es fazem uso do seu poder pol\u00edtico e social. Expulsam os grevistas de suas casas, mandam mat\u00e1-los por mil\u00edcias ou mercen\u00e1rios, prendem os seus porta-vozes, declaram ilegais as suas caixas de socorros m\u00fatuos. A imprensa capitalista fala de caos, de viol\u00eancia, de revolu\u00e7\u00e3o, e dirige a opini\u00e3o p\u00fablica contra os grevistas. Ap\u00f3s v\u00e1rios meses de tenacidade e sofrimentos her\u00f3icos, esgotados e desiludidos, incapazes de fazer vergar a estrutura de a\u00e7o do capitalismo, os oper\u00e1rios rendem-se, remetendo para mais tarde as suas reivindica\u00e7\u00f5es.<\/span><span style=\"line-height: 150%; font-family: 'Verdana','sans-serif'; color: black; font-size: 10pt\">A concentra\u00e7\u00e3o de capitais enfraquece a posi\u00e7\u00e3o dos sindicatos, mesmo nos ramos de actividade em que s\u00e3o mais fortes. Apesar da sua import\u00e2ncia, os fundos de apoio aos grevistas mostram-se \u00ednfimos comparados com os recursos financeiros do advers\u00e1rio. Um ou dois lok-out bastam para os esgotar inteiramente. O sindicato \u00e9 ent\u00e3o incapaz de lutar, mesmo quando o patr\u00e3o decide reduzir os sal\u00e1rios e aumentar as horas de trabalho. Resta-lhe aceitar as condi\u00e7\u00f5es desfavor\u00e1veis do patronato e a sua habilidade para negociar n\u00e3o lhe serve de nada. <\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"line-height: 150%; font-family: 'Verdana','sans-serif'; color: black; font-size: 10pt\">\u00c9 nesse momento que os aborrecimentos come\u00e7am, pois os oper\u00e1rios querem lutar. Recusam render-se sem combate e sabem pouco ter a perder se se revoltarem. Os dirigentes sindicais, pelo contr\u00e1rio t\u00eam muito a perder: o poder financeiro dos sindicatos e, por vezes, a sua pr\u00f3pria exist\u00eancia \u00e9 amea\u00e7ada. Assim, tentar\u00e3o por todos os meios impedir um combate que consideram n\u00e3o ter sa\u00edda. E procurar\u00e3o convencer os trabalhadores que \u00e9 do seu interesse aceitar as condi\u00e7\u00f5es do patronato. De tal modo que, em ultima an\u00e1lise, agem como porta-vozes dos capitalistas. A situa\u00e7\u00e3o \u00e9 ainda mais grave quando os oper\u00e1rios persistem em querer continuar a luta, sem ter em conta as palavras de ordem dos sindicatos. Nesse caso, a for\u00e7a sindical vira-se contra os trabalhadores.<\/span><span style=\"line-height: 150%; font-family: 'Verdana','sans-serif'; color: black; font-size: 10pt\">O dirigente sindical torna-se assim escravo da sua fun\u00e7\u00e3o &#8211; a manuten\u00e7\u00e3o da paz nas f\u00e1bricas &#8211; e isto em detrimento dos oper\u00e1rios, se bem que pretenda defender os interesses destes o melhor poss\u00edvel. Visto que n\u00e3o \u00e9 capaz de olhar para al\u00e9m do sistema capitalista, em pensar que a luta \u00e9 in\u00fatil. <\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"line-height: 150%; font-family: 'Verdana','sans-serif'; color: black; font-size: 10pt\">A\u00ed se situam os limites do seu poder e \u00e9 sobre isso que a cr\u00edtica deve incidir.<\/span><span style=\"line-height: 150%; font-family: 'Verdana','sans-serif'; color: black; font-size: 10pt\">Existe outra sa\u00edda? Podem os oper\u00e1rios esperar ganhar qualquer coisa ao lutar? \u00c9 bem prov\u00e1vel que n\u00e3o obtenham satisfa\u00e7\u00f5es imediatas, mas ganhar\u00e3o outra coisa, porque ao recusarem submeter-se sem combate, ati\u00e7am o esp\u00edrito de revolta contra o capitalismo. Formulam novas reivindica\u00e7\u00f5es e torna-se ent\u00e3o essencial que o conjunto da classe oper\u00e1ria as defenda. \u00c9-lhes necess\u00e1rio mostrar a todos os trabalhadores que para eles n\u00e3o h\u00e1 esperan\u00e7a no interior das estruturas capitalistas e que s\u00f3 podem vencer unidos, fora dos sindicatos. \u00c9 ent\u00e3o que come\u00e7a a luta revolucion\u00e1ria. Quando todos os trabalhadores compreenderem esta li\u00e7\u00e3o, quando se desencadearem greves simultaneamente em todos os ramos da ind\u00fastria, quando rebentar uma vaga de revolta pelo pa\u00eds, ent\u00e3o talvez nas\u00e7am algumas d\u00favidas nos cora\u00e7\u00f5es arrogantes dos capitalistas; vendo o seu poder amea\u00e7ado, consentir\u00e3o em fazer algumas concess\u00f5es.<\/span><span style=\"line-height: 150%; font-family: 'Verdana','sans-serif'; color: black; font-size: 10pt\">O dirigente sindical n\u00e3o pode compreender este ponto de vista, pois que o sindicalismo n\u00e3o pode olhar para al\u00e9m do capitalismo. Ele n\u00e3o pode deixar de se op\u00f4r a um combate deste g\u00e9nero que significa a sua perda. Sindicatos e patr\u00f5es est\u00e3o unidos no receio comum de uma revolta do proletariado.<\/span><span style=\"line-height: 150%; font-family: 'Verdana','sans-serif'; color: black; font-size: 10pt\">Quando os sindicatos se batiam contra a classe capitalista para obter melhores condi\u00e7\u00f5es de trabalho, esta detestava-os mas n\u00e3o tinha possibilidade de os destruir completamente. Se hoje os sindicatos tentassem despertar o esp\u00edrito combativo da classe oper\u00e1ria, seriam perseguidos sem piedade pela classe dirigente, que reprimiria as suas ac\u00e7\u00f5es, mandaria a mil\u00edcia destruir os seus gabinetes, prenderia os seus dirigentes e conden\u00e1-los-ia a multas, confiscaria os seus fundos. Se, pelo contr\u00e1rio, impedissem os seus adeptos de lutar, seriam considerados pela classe capitalista como preciosas institui\u00e7\u00f5es; seriam protegidos e os seus dirigentes seriam considerados dignos cidad\u00e3os. <\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"line-height: 150%; font-family: 'Verdana','sans-serif'; color: black; font-size: 10pt\">Os sindicatos encontram-se assim entalados entre dois males: por um lado as persegui\u00e7\u00f5es que s\u00e3o uma triste sorte para pessoas que se pretendem cidad\u00e3os pac\u00edficos; por outro, a revolta dos oper\u00e1rios sindicalizados que amea\u00e7a abalar os alicerces da organiza\u00e7\u00e3o sindical. Se a classe dirigente for prudente, reconhecer\u00e1 a utilidade de um simulacro de luta, se quiser que os dirigentes sindicais conservem uma certa influ\u00eancia sobre os seus membros.<\/span><span style=\"line-height: 150%; font-family: 'Verdana','sans-serif'; color: black; font-size: 10pt\">Ningu\u00e9m \u00e9 respons\u00e1vel por estes conflitos: s\u00e3o a consequ\u00eancia ineg\u00e1vel do desenvolvimento do capitalismo. O capitalismo existe, mas encontra-se tamb\u00e9m no caminho da sua ru\u00edna. Deve ser combatido simultaneamente como uma entidade viva e como uma fase transit\u00f3ria. Os oper\u00e1rios devem, ao mesmo tempo, lutar incansavelmente para obter sal\u00e1rios mais elevados e melhores condi\u00e7\u00f5es de trabalho, e tomar consci\u00eancia dos ideais comunistas. Agarram-se aos sindicatos que consideram ainda necess\u00e1rios, procurando de vez em quando fazer deles melhores instrumentos de combate. Mas n\u00e3o partilham o esp\u00edrito do sindicalismo, que permanece essencialmente capitalista. As diverg\u00eancias que op\u00f5em o capitalismo \u00e0 luta de classes s\u00e3o hoje representadas pelo fosso que separa o esp\u00edrito sindicalista, principalmente incarnado pelos dirigentes sindicais, da atitude cada vez mais revolucion\u00e1ria dos sindicalizados. Este fosso torna-se evidente sempre que surge um problema pol\u00edtico ou social importante.<\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"line-height: 150%; font-family: 'Verdana','sans-serif'; color: black; font-size: 10pt\">O sindicalismo est\u00e1 estreitamente ligado ao capitalismo; \u00e9 nos per\u00edodos de prosperidade que tem mais probalidades de ver as suas reivindica\u00e7\u00f5es de ver as suas reivindica\u00e7\u00f5es salariais satisfeitas. De tal modo que, em per\u00edodo de crise econ\u00f3mica, tem de fazer votos para que o capitalismo retome a sua expans\u00e3o. Os trabalhadores, enquanto classe, n\u00e3o se preocupam nada com o bom andamento dos neg\u00f3cios. Com efeito, \u00e9 quando o capitalismo est\u00e1 mais fraco que eles t\u00eam mais probalidades de o atacar, de reunir for\u00e7as e dar o primeiro passo para a liberdade e a revolu\u00e7\u00e3o.<\/span><span style=\"line-height: 150%; font-family: 'Verdana','sans-serif'; color: black; font-size: 10pt\">O sistema capitalista estende a sua domina\u00e7\u00e3o ao estrangeiro, apropriando-se das riquezas naturais de outros pa\u00edses em seu pr\u00f3prio benef\u00edcio. Conquista col\u00f3nias, submete as popula\u00e7\u00f5es primitivas e explora-as n\u00e3o hesitando em cometer as piores atrocidades. A classe oper\u00e1ria denuncia e combate a explora\u00e7\u00e3o colonial, enquanto que o sindicalismo defende muitas vezes uma pol\u00edtica colonialista, fonte de prosperidade para o regime capitalista.<\/span><span style=\"line-height: 150%; font-family: 'Verdana','sans-serif'; color: black; font-size: 10pt\">\u00c0 medida que o capital aumenta, as col\u00f3nias e pa\u00edses estrangeiros s\u00e3o objecto de investimentos maci\u00e7os. Mercados para a grande industria e produtores de mat\u00e9rias-primas, adquirem uma import\u00e2ncia consider\u00e1vel. Para obter estas col\u00f3nias, os grandes estados capitalistas entregam-se a lutas de influ\u00eancia e procedem a uma verdadeira partilha do mundo. As classes m\u00e9dias deixam-se arrastar nestas conquistas imperialistas em nome da grandeza nacional. Depois os sindicatos colocam-se por sua vez ao lado das classes dirigentes sob pretexto de a prosperidade do pa\u00eds depender do sucesso que retira da luta imperialista. <\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"line-height: 150%; font-family: 'Verdana','sans-serif'; color: black; font-size: 10pt\">Por seu lado, a classe oper\u00e1ria n\u00e3o v\u00ea no imperialismo mais do que uma forma de refor\u00e7ar o poder e a brutalidade dos opressores.<\/span><span style=\"line-height: 150%; font-family: 'Verdana','sans-serif'; color: black; font-size: 10pt\">Estas rivalidades de interesses entre as na\u00e7\u00f5es capitalistas transformam-se em verdadeiras guerras. A guerra mundial \u00e9 o coroamento da pol\u00edtica imperialista. Para os trabalhadores significa n\u00e3o s\u00f3 o fim da solidariedade internacional, mas tamb\u00e9m a forma mais violenta de explora\u00e7\u00e3o. Porque a classe oper\u00e1ria, camada mais importante e mais explorada da sociedade, \u00e9 a primeira a ser afectada pelos horrores da guerra. Os oper\u00e1rios ter\u00e3o n\u00e3o s\u00f3 de fornecer a sua for\u00e7a de trabalho, como tamb\u00e9m de sacrificar a vida.<\/span><span style=\"line-height: 150%; font-family: 'Verdana','sans-serif'; color: black; font-size: 10pt\">E, contudo, o sindicalismo em tempo de guerra n\u00e3o pode sen\u00e3o estar do lado do capitalismo. Estando os seus interesses ligados aos do capitalismo, n\u00e3o pode deixar de desejar a vit\u00f3ria deste \u00faltimo. Assim dedica-se a despertar os instintos nacionalistas e o chauvinismo. Auxilia a classe dirigente a arrastar os trabalhadores para a guerra e a reprimir qualquer oposi\u00e7\u00e3o.<\/span><span style=\"line-height: 150%; font-family: 'Verdana','sans-serif'; color: black; font-size: 10pt\">O sindicalismo tem horror ao comunismo, que representa uma amea\u00e7a constante \u00e0 sua pr\u00f3pria exist\u00eancia. Em regime comunista n\u00e3o h\u00e1 patr\u00f5es nem, por conseguinte, sindicatos. Claro que nos pa\u00edses onde existe um forte movimento socialista e onde a grande maioria dos trabalhadores s\u00e3o socialistas, os dirigentes do movimento oper\u00e1rio t\u00eam tamb\u00e9m de ser socialistas. Mas trata-se de socialistas de direita que se limitam a desejar uma rep\u00fablica na qual honestos dirigentes sindicais substituiriam os capitalistas \u00e1vidos de lucro \u00e0 cabe\u00e7a da produ\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"line-height: 150%; font-family: 'Verdana','sans-serif'; color: black; font-size: 10pt\">O sindicalismo tem horror \u00e0 revolu\u00e7\u00e3o que subverte as rela\u00e7\u00f5es entre patr\u00f5es e oper\u00e1rios. No decorrer dos seus violentos confrontos, ela varre de um s\u00f3 golpe os regulamentos e as conven\u00e7\u00f5es que regem o trabalho; perante essas gigantescas manifesta\u00e7\u00f5es de for\u00e7a, os modestos talentos de negociantes dos dirigentes sindicais s\u00e3o ultrapassados. Esta a raz\u00e3o porque o sindicalismo mobiliza todas as suas for\u00e7as para se op\u00f4r \u00e0 revolu\u00e7\u00e3o e ao comunismo.<\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"line-height: 150%; font-family: 'Verdana','sans-serif'; color: black; font-size: 10pt\">Esta atitude \u00e9 rica em significa\u00e7\u00f5es. O sindicalismo constitui uma verdadeira for\u00e7a. Disp\u00f5e de fundos consider\u00e1veis e de uma influ\u00eancia moral cuidadosamente mantida nas suas diversas publica\u00e7\u00f5es. Esta for\u00e7a est\u00e1 concentrada nas m\u00e3os dos dirigentes sindicais que a utilizam de cada vez que os interesses particulares dos sindicatos entram em conflito com os dos trabalhadores. Embora tenha sido constru\u00eddo pelos e para os oper\u00e1rios, o sindicalismo domina os trabalhadores, do mesmo modo que o governo domina o povo.<\/span><span style=\"line-height: 150%; font-family: 'Verdana','sans-serif'; color: black; font-size: 10pt\">O sindicalismo varia segundo o pa\u00eds e segundo a forma do desenvolvimento capitalista. Pode tamb\u00e9m passar por fases no interior de um determinado pa\u00eds. Acontece haver sindicatos que perdem a sua for\u00e7a e aos quais o esp\u00edrito combativo dos oper\u00e1rios insufla um sopro de vida, ou at\u00e9 os transforma radicalmente. Na Inglaterra, nos anos de 1880-90, um &#8220;novo sindicalismo&#8221; surgiu assim das massas pobres, dos estivadores, e outros trabalhadores n\u00e3o especializados e sub-remunerados rejuvenescendo as estruturas anquilosadas dos antigos sindicatos. <\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"line-height: 150%; font-family: 'Verdana','sans-serif'; color: black; font-size: 10pt\">O aumento do n\u00famero de trabalhadores manuais vivendo em condi\u00e7\u00f5es lament\u00e1veis \u00e9 uma das consequ\u00eancias do desenvolvimento da capitalismo que cria sem cessar novas ind\u00fastrias e substitui os trabalhadores especializados por m\u00e1quinas. Quando, reduzidos \u00e0s suas \u00faltimas for\u00e7as, estes trabalhadores seguem o caminho da revolta e da greve, adquirem finalmente uma consci\u00eancia de classe. Remodelam as estruturas do sindicalismo, de maneira a adopt\u00e1-las a uma forma mais avan\u00e7ada do capitalismo. Na verdade, quando o capitalismo ultrapassa este limiar, o novo sindicalismo n\u00e3o pode escapar \u00e0 sorte que espera qualquer forma de sindicalismo e produz, por sua vez, as mesmas contradi\u00e7\u00f5es internas.<\/span><span style=\"line-height: 150%; font-family: 'Verdana','sans-serif'; color: black; font-size: 10pt\">O novo sindicalismo iria aparecer particularmente na Am\u00e9rica, com os I.W.W. (International Workers of the World), nascido de duas formas de desenvolvimento capitalista. Nas vastas regi\u00f5es de florestas e plan\u00edcies do Oeste, os capitalistas apropriaram-se das riquezas naturais por m\u00e9todos brutais a que os oper\u00e1rios-aventureiros responderam com a viol\u00eancia e a selvajaria. No Leste dos Estados Unidos, a ind\u00fastria ir-se-ia, pelo contr\u00e1rio, desenvolver \u00e0 custa da explora\u00e7\u00e3o de milh\u00f5es de pobres imigrados vindos de pa\u00edses de baixo n\u00edvel de vida e que foram submetidos a condi\u00e7\u00f5es de trabalho miser\u00e1veis.<\/span><span style=\"line-height: 150%; font-family: 'Verdana','sans-serif'; color: black; font-size: 10pt\">Para lutar contra o esp\u00edrito estreitamente corporativo do velho sindicalismo americano &#8211; a Federa\u00e7\u00e3o Americana do Trabalho, que dividia os oper\u00e1rios de uma f\u00e1brica em v\u00e1rios sindicatos separados -, os I.W.W. propuseram que todos os oper\u00e1rios de uma mesma f\u00e1brica se unissem contra o patr\u00e3o no interior de um sindicato \u00fanico.<\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"line-height: 150%; font-family: 'Verdana','sans-serif'; color: black; font-size: 10pt\">Condenando as rivalidades mesquinhas que opunham os sindicatos entre si, os I.W.W. iriam voltar-se para esta frac\u00e7\u00e3o mais miser\u00e1vel do proletariado e conduzi-la para a luta. Eram demasiado pobres para pagar as cotas elevadas e constituir sindicatos tradicionais. Mas quando se revoltaram e se puseram em greve, foram os I.W.W. que os ensinaram a lutar, que juntaram fundos de apoio atrav\u00e9s do pa\u00eds e que defenderam a sua causa na imprensa e perante os tribunais. Alcan\u00e7ando uma s\u00e9rie de vit\u00f3rias, viriam a insuflar no cora\u00e7\u00e3o das massas o esp\u00edrito de organiza\u00e7\u00e3o e de responsabilidade. E enquanto que os antigos sindicatos jogavam na sua riqueza financeira, os I.W.W. apoiaram-se na solidariedade, no entusiasmo e nas capacidades de resist\u00eancia dos trabalhadores. Em vez da estrutura r\u00edgida dos velhos sindicatos, os I.W.W. propuseram uma forma de organiza\u00e7\u00e3o flex\u00edvel, variando quanto ao n\u00famero conforme a situa\u00e7\u00e3o, com efectivos reduzidos em tempo de paz, desenvolvendo-se com a luta. Recusando o esp\u00edrito conservador e capitalista do sindicalismo americano, os I.W.W. preconizavam a revolu\u00e7\u00e3o. Os seus membros foram perseguidos sem piedade pelo conjunto do mundo capitalista. Foram lan\u00e7ados na pris\u00e3o e torturados com base em falsas acusa\u00e7\u00f5es. O direito americano chegou mesmo a inventar um novo delito: o &#8220;criminal syndicalism&#8221;.<\/span><span style=\"line-height: 150%; font-family: 'Verdana','sans-serif'; color: black; font-size: 10pt\">Como m\u00e9todo de luta contra a sociedade capitalista, o sindicalismo industrial, n\u00e3o \u00e9 suficiente para, por si s\u00f3, derrubar essa sociedade e conquistar o mundo para os trabalhadores. Combate o capitalismo sob a sua forma patronal, no sector econ\u00f3mico da produ\u00e7\u00e3o, mas n\u00e3o se pode declarar contra o seu baluarte pol\u00edtico, o poder estatal. Contudo, os I.W.W. foram at\u00e9 hoje a forma de organiza\u00e7\u00e3o mais revolucion\u00e1ria na Am\u00e9rica. Contribuiu mais do que qualquer outra para despertar a consci\u00eancia de classe, a solidariedade e a unidade do proletariado, para reivindicar o comunismo e para estimular as suas armas de combate.<\/span><span style=\"line-height: 150%; font-family: 'Verdana','sans-serif'; color: black; font-size: 10pt\">O sindicalismo n\u00e3o pode vencer a resist\u00eancia do capitalismo. <\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"line-height: 150%; font-family: 'Verdana','sans-serif'; color: black; font-size: 10pt\">Esta a li\u00e7\u00e3o que se deve depreender do que anteriormente se disse. As vit\u00f3rias que alcan\u00e7a trazem apenas solu\u00e7\u00f5es a curto prazo. Mas as lutas sindicais n\u00e3o s\u00e3o menos essenciais e devem prosseguir at\u00e9 ao fim, at\u00e9 \u00e0 vitoria final.<\/span><span style=\"line-height: 150%; font-family: 'Verdana','sans-serif'; color: black; font-size: 10pt\">A incapacidade do sindicalismo nada tem de surpreendente, pois que se um grupo isolado de trabalhadores se pode mostrar numa justa correla\u00e7\u00e3o de for\u00e7as quando se op\u00f5e a um patronato isolado, \u00e9 por\u00e9m, impotente face a um patr\u00e3o que \u00e9 apoiado pelo conjunto da classe capitalista. \u00c9 o que se passa neste caso: o poder estatal, a for\u00e7a financeira do capitalismo, a opini\u00e3o p\u00fablica burguesa, a virul\u00eancia da imprensa capitalista concorrem para vencer o grupo de trabalhadores combativos.<\/span><span style=\"line-height: 150%; font-family: 'Verdana','sans-serif'; color: black; font-size: 10pt\">Quanto ao conjunto da classe oper\u00e1ria, n\u00e3o se sente envolvido pela luta de um grupo de grevistas. Sem d\u00favida que a massa dos trabalhadores nunca \u00e9 hostil a uma ac\u00e7\u00e3o de greve: pode at\u00e9 chegar a empreender colectas para apoiar os grevistas &#8211; com a condi\u00e7\u00e3o de n\u00e3o serem proibidas por ordem de um tribunal. Mas esta simpatia n\u00e3o vai mais longe: os grevistas permanecem s\u00f3s, enquanto milh\u00f5es de trabalhadores os observam passivamente. E a luta n\u00e3o pode ser ganha (salvo em casos particulares quando o patronato decide, por raz\u00f5es econ\u00f3micas, satisfazer algumas reivindica\u00e7\u00f5es) enquanto o conjunto da classe oper\u00e1ria n\u00e3o estiver unido neste combate.<\/span><span style=\"line-height: 150%; font-family: 'Verdana','sans-serif'; color: black; font-size: 10pt\">A situa\u00e7\u00e3o \u00e9 diferente quando os trabalhadores se sentem directamente implicados na luta; quando compreendem que o seu futuro est\u00e1 em jogo. <\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"line-height: 150%; font-family: 'Verdana','sans-serif'; color: black; font-size: 10pt\">A partir do momento em que a greve se generaliza ao conjunto da ind\u00fastria, o poder capitalista tem de enfrentar o poder colectivo da classe oper\u00e1ria.<\/span><span style=\"line-height: 150%; font-family: 'Verdana','sans-serif'; color: black; font-size: 10pt\">Muitas vezes se disse que a extens\u00e3o da greve, e a generaliza\u00e7\u00e3o ao conjunto das actividades de um pa\u00eds, era o meio mais seguro para assegurar a vit\u00f3ria. Mas \u00e9 preciso n\u00e3o ver nesta t\u00e1ctica um esquema pr\u00e1tico que possa ser utilizado em qualquer altura com \u00eaxito. Se assim fosse, o sindicalismo n\u00e3o teria deixado de a utilizar constantemente. A greve geral n\u00e3o pode ser decretada, segundo o humor dos dirigentes sindicais, como uma simples t\u00e1ctica. N\u00e3o deve surgir sen\u00e3o das entranhas da classe oper\u00e1ria, como forma de express\u00e3o da sua espontaneidade; e n\u00e3o se deve efectuar sen\u00e3o quando a ess\u00eancia do combate ultrapassa largamente as simples reivindica\u00e7\u00f5es de um s\u00f3 grupo. Ent\u00e3o, os trabalhadores colocar\u00e3o verdadeiramente todas as suas for\u00e7as, o seu entusiasmo, a sua solidariedade e a sua capacidade de resist\u00eancia na luta.<\/span><span style=\"line-height: 150%; font-family: 'Verdana','sans-serif'; color: black; font-size: 10pt\">E ter\u00e3o necessidade de todas as suas for\u00e7as, porque o capitalismo mobilizar\u00e1 por seu lado, as suas melhores armas. Poder\u00e1 ser surpreendido por esta repentina demonstra\u00e7\u00e3o de for\u00e7a do proletariado e poder\u00e1 ver-se obrigado, num primeiro momento, a fazer concess\u00f5es. Mas n\u00e3o passar\u00e1 de um recuo tempor\u00e1rio. A vit\u00f3ria do proletariado n\u00e3o est\u00e1 assegurada nem \u00e9 duradoira. O seu caminho n\u00e3o est\u00e1 claramente tra\u00e7ado, mas deve ser trilhado atrav\u00e9s da selva capitalista \u00e0 custa de imensos esfor\u00e7os.<\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"line-height: 150%; font-family: 'Verdana','sans-serif'; color: black; font-size: 10pt\">Contudo, cada pequena vit\u00f3ria \u00e9 em si um progresso, porque arrasta consigo uma vaga de solidariedade oper\u00e1ria: as massas toma consci\u00eancia da for\u00e7a da sua unidade. Atrav\u00e9s da ac\u00e7\u00e3o os trabalhadores compreendem melhor o que significa o capitalismo e qual \u00e9 a sua posi\u00e7\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 classe dirigente. Come\u00e7am a vislumbrar o caminho da liberdade.<\/span><span style=\"line-height: 150%; font-family: 'Verdana','sans-serif'; color: black; font-size: 10pt\">A luta sai assim do dom\u00ednio estreito do sindicalismo para entrar no vasto campo da luta de classes. Cabe ent\u00e3o aos pr\u00f3prios trabalhadores mudar. Precisam alargar a sua concep\u00e7\u00e3o do mundo e olhar, para al\u00e9m das paredes da f\u00e1brica, para o conjunto da sociedade. Devem elevar-se acima da mesquinhez que os rodeia e fazer frente ao Estado. Penetram ent\u00e3o no reino da pol\u00edtica. \u00c9 tempo de se preocuparem com a revolu\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><font color=\"#999999\"><span style=\"line-height: 150%; font-family: 'Verdana','sans-serif'; color: black; font-size: 10pt\">Por <\/span><span style=\"line-height: 150%; font-family: 'Verdana','sans-serif'; font-size: 10pt\">Anton Pannekoek<\/span><\/font><span style=\"line-height: 115%; font-family: 'Verdana','sans-serif'; font-size: 10pt\"><font color=\"#000000\">\u00a0<\/font><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>De que modo deve a classe oper\u00e1ria lutar para vencer o capitalismo? \u00c9 esta a quest\u00e3o primordial que se coloca todos os dias aos trabalhadores. Quais os meios de ac\u00e7\u00e3o eficazes e quais as t\u00e1cticas que necessitar\u00e3o de empregar para conquistar o poder e vencer o inimigo? N\u00e3o existe nenhuma ci\u00eancia ou teoria que lhes &hellip; <\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[15],"tags":[],"class_list":["post-1563","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c34-gerais"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sinservregional.com.br\/site\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1563","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sinservregional.com.br\/site\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sinservregional.com.br\/site\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sinservregional.com.br\/site\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sinservregional.com.br\/site\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=1563"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sinservregional.com.br\/site\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1563\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sinservregional.com.br\/site\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=1563"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sinservregional.com.br\/site\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=1563"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sinservregional.com.br\/site\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=1563"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}