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Desvendar o Brasil é tarefa apaixonante, diz Renato Rabelo

No lançamento do livro Desvendar o Brasil — Suas Singularidades, Contradições e Potencialidades, o presidente nacional do Partido Comunista do Brasil (PCdoB) disse que é apaixonante desvendar o Brasil. Na mesa estava também Carlos Alonso de Oliveira, professor livre-docente do Instituto de Economia da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).Na noite de sexta-feira (27), no auditório da sede nacional do Partido Comunista do Brasil (PCdoB) na cidade de São Paulo, ocorreu o lançamento do livro Desvendar o Brasil — Suas Singularidades, Contradições e Potencialidades, seguido de um concorrido coquetel.

O presidente da Fundação Maurício Grabois, Adalberto Monteiro, abriu o evento lembrando que o livro é resultado de um seminário organizado pelo PCdoB, em conjunto com a Fundação Maurício Grabois, que serviu de subsídios para a elaboração da proposta do Novo Projeto Nacional de Desenvolvimento (NPND) do Partido. Ele disse também que o seminário foi organizado no âmbito dos preparativos do 12º Congresso do PCdoB. A obra, destacou, é uma forma de disseminar o rico conteúdo das intervenções dos especialistas que participaram do debate.

Oportunidades

Carlos Alonso de Oliveira disse que ficou “profundamente entusiasmado” com o livro. Ele lembrou que os palestrantes fizeram uma reflexão profunda sobre a realidade brasileira e elogiou a iniciativa do PCdoB de realizar um plano para o país. Segundo o professor, traçar metas e planejar são iniciativas que ficaram fora de moda com a chegada da hegemonia liberal.

Carlos Alonso de Oliveira disse que tanto na academia quanto nos partidos há uma tendência de ver os problemas nacionais apenas como conseqüência do imperialismo, esquecendo que há espaço para o encaminhamento das forças populares ligadas ao proletariado no sentido da conquista de avanços sociais. Mesmo no Estado capitalista, enfatizou. O professor classificou de erro teórico a idéia de que as forças marxistas não devem participar do Estado no capitalismo. Segundo ele, cabe sim a defesa dos interesses de classe do proletariado nesse tipo de Estado.

Para ilustrar seu raciocínio, Carlos Alonso de Oliveira disse que a crise econômica global oferece ao Brasil uma série de oportunidades. Para o professor, muitos ainda não compreenderam a profundidade da crise. Ele destacou que ela cria as condições para o Brasil se firmar como um país de economia diversificada e forte. O professor  citou alguns setores com potencial para crescer e nominou o petróleo do pré-sal como uma referência dessa nova realidade.

Viés rentista

Carlos Alonso de Oliveira também registrou sua satisfação com a menção destacada de combate ao viés rentista da economia brasileira contida na proposta de programa do PCdoB. Ele lembrou que esse viés vem dos anos 70, mas foi elevado à hegemonia em 1994 quando Fernando Henrique Cardoso (FHC) ganhou espaço no governo. O professor comentou que o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) fez um estudo que mostra a transferência de R$ 100 bilhões ao ano do Estado para os setores da sociedade que se beneficiam das altas taxas de juros do Banco Central (BC).

Desmontar esse mecanismo rentista, que se apoiou na fragilidade da econômica externa para se desenvolver no Brasil, é uma tarefa tão necessária quanto urgente, disse Carlos Alonso de Oliveira. Ao tocar nesse ponto com ênfase, segundo ele, a proposta de um Novo Projeto Nacional de Desenvolvimento (NPND) contida no projeto de programa do PCdoB aponta efetivamente para o caminho de uma sociedade mais avançada e de um pais independente e soberano.

Trajetória do país

Já Renato Rabelo iniciou sua intervenção lembrando que no livro está o resultado de um esforço do PCdoB e da Fundação Maurício Grabois para conhecer mais um pouco a realidade brasileira. Ele registrou o êxito da tarefa apaixonante que é desvendar o Brasil e complementou enfatizando a característica jovem, única e una, de uma nação que está dando certo. Renato Rabelo, ao falar sobre a riqueza de elementos recolhidos do seminário para a elaboração da proposta de programa do PCdoB, destacou que ali estavam idéias que situavam o debate no processo histórico brasileiro.

Ele lembrou que a proposta do NPND insere-se na trajetória do país, que já passou por dois saltos civilizatórios — o primeiro no período da Abolição, da Independência e da proclamação da República; e o segundo iniciado com a Revolução de 1930. Segundo Renato Rabelo, o Brasil chegou à crise de perspectivas nos anos 70, agravada com o neoliberalismo dos anos 90 que aprofundou os impasses nacionais, e agora precisa descortinar caminhos para um terceiro processo civilizatório.

O presidente do PCdoB explicou que para essa tarefa é preciso acumular forças e abrir caminho rumo à transição ao socialismo. Para ele, a proposta de programa aponta para esse rumo e se encaixa no atual estágio histórico do país. Renato Rabelo enfatizou que o objetivo — a transição ao socialismo — está definido. Agora a tarefa que se impõe é a de fazer a caminhada até ele. Para o presidente do PCdoB, o caminho é o modelo de desenvolvimento que o país precisa adotar. Daí a proposta do NPND.

Taxa de investimentos

Existe, disse, um crítico problema pendente que é o financiamento desse projeto. Renato Rabelo lembrou que, na avaliação do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), para o país crescer de forma sustentada em 5% ao ano a taxa brasileira de investimento precisa chegar a 25%. No entanto, ela situa-se em torno de 19%. Para o presidente do PCdoB, os bancos públicos podem ser um pólo que financiaria o desenvolvimento nacional. Ele também destacou o setor rentista como obstáculo a ser firmemente enfrentado.

Renato Rabelo disse que o segundo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva começou a dar pinceladas nessa direção. O primeiro mandato, lembrou, limitou-se a enfrentar a crise herdada do neoliberalismo, com déficits gigantescos, estagnação econômica, amarras do FMI e desemprego nas alturas. Renato Rabelo explicou que os fundamentos dessa caminhada são basicamente a defesa da soberania do país, a democratização da sociedade, o progresso social e a integração solidária do continente.

Conceito de nação

Para ele, não é possível separar o conceito de nação do conceito de desenvolvimento e de socialismo. O presidente do PCdoB lembrou que as revoluções russa, chinesa, cubana e vietnamita foram realizados nos marcos de cada nação, com suas peculiaridades. Daí a conclusão, destacou, de que não existe modelo único de revolução e de socialismo. O desafio, enfatizou, é dar curso ao fortalecimento da nação — sem deixar de contextualizá-lo do cenário mundial.

Renato Rabelo encerrou sua intervenção reforçando que o seminário foi muito importe para a formulação do projeto de programa do PCdoB. O livro é comercializado pela editora Anita Garibaldi, ao preço de R$ 30. Mais informações pelo www.anitagaribaldi.com.br, pelo correio eletrônico [email protected].

De São Paulo, Osvaldo Bertolino 

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